domingo, 27 de maio de 2012

15 de Junho Dia Nacional do Blogueiro



O III  Encontro Nacional de Blogueiros realizado em Salvador (BA) nos dias 25, 26 e 27, realizou mais cedo sua plenária final quando foram aprovadas a 'Carta de Salvador', documento político do encontro e mais dezenas de encaminhamentos, dentre eles um que orgulha os potiguares e em especial o povo de Serra do Mel (RN). Blogueiros de todo o país, presentes ao encontro aprovaram por unanimidade a instituição do Dia Nacional do Blogueiro no dia 15 de junho em homenagem a Edinaldo Filgueira, assassinado nesta data por  sua atuação jornalística na internet. Edinaldo Filgueira, passa a ser lembrado por todos como mártir e referência da luta daqueles que militam a favor da liberdade de expressão no país. Estou extremamente emocionado.

Propostas da Oficina Liberdade de Expressão e Direitos Humanos do III Encontro Nacional de Blogueiros


  1. Criação de associações municipais ou regionais ou estaduais de blogueiros, conforme as condições de cada estado;
  2. Participação de blogueiros dos estados vizinhos em evento político em memória de Edinaldo Filgueira;
  3. Articulação dos blogueiros em rede;
  4. Inclusão na “Carta de Salvador”, do III Encontro Nacional de Blogueiros, de manifestação às autoridades judiciárias do estado do RN sobre as preocupações da blogosfera a respeito do andamento do processo penal referente à morte de Edinaldo;
  5. Criar uma comissão para acompanhar o andamento do julgamento do Caso Edinaldo agendando audiência com presidente do Tribunal de Justiça do RN para o dia do aniversário da morte do blogueiro (15/06);
  6. Instituir no dia 15 de junho o dia Nacional do blogueiro;
  7. Promover um grande movimento da internet (twitaço, facebook, Orkut, e-mail) no dia 15 a partir de 07:00hs, incluindo o hashtag Ednaldo Filgueira no trends topics do dia;
  8. Preparar material para divulgação no facebook (quadrinho), demais redes sociais e outras mídias;
  9. Inserir o tema na campanha nacional pela liberdade de expressão;
  10. Publicação do vídeo “de Ferro e de fogo” na TVT, site da CUT;
  11. Que o movimento nacional de blogueiros estimule a criação de cursos livres de jornalismo cidadão para blogueiros procurando apoio nas universidades por meio dos cursos de jornalismo;
  12. Estimular a educação da sociedade em direitos humanos.

sábado, 26 de maio de 2012

III Encontro Nacional de Blogueiros - Parte 2

Tivemos conversas com os blogueiros Rodrigo Viana (O escrevinhador/Rede Record), Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada/Rede Record)Lendro Fontes (revista Carta Capital) e Miro Borges (Barão de Itararé). Todos demonstraram muito interesse pelo caso Edinaldo Filgueira.

III Encontro Nacional de Blogueiros




Estamos no Encontro Nacional de Blogueiros e acabamos de participar de um debate sobre "Liberdade de expressão e direitos humanos". O caso Edinaldo Filgueira foi o centro do debate e muitas propostas interessantes surgiram do fórum.

Vejam toda a programação:






Programação


25 de maio, sexta-feira

15 horas – Início do credenciamento;


17 horas – Palestra inaugural: A luta de ideias no mundo contemporâneo


– Convidado: Michel Moore (diretor de cinema e escritor dos Estados Unidos)


19 horas – Ato político em defesa da blogosfera e da liberdade de expressão – Praça Castro Alves


- Convidados: Artistas, lideranças políticas e dos movimentos sociais;


26 de maio, sábado


9 horas – Nas redes e nas ruas pela liberdade de expressão e pela regulação da mídia


Convidados:


- Franklin Martins – ex-secretário da Secretária de Comunicação da Presidência da República;


- Emiliano José – integrante da Frente Parlamentar pelo Direito à Comunicação e pela Liberdade de Expressão;


- Gilberto Gil – ex-ministro da Cultura;


- Barbara Lopes – do movimento blogueiras feministas;


11 horas – A força das redes sociais no mundo


Convidados:


- Ignácio Ramonet – criador do Le Monde Diplomatique e autor do livro “A explosão do jornalismo”;


- Amy Goodman – fundadora do movimento Democracy Now e ativista do Ocupe Wall Street;


- Osvaldo Leon – Diretor da Agência Latino-Americana de Informação (Alai);


15 horas – Oficinas autogestionadas


(Os temas e conferencistas deverão ser propostos até 4 de maio; a organização das oficinas caberá exclusivamente aos seus proponentes);


17 horas – Apresentação e debate da proposta sobre a Associação de Apoio Jurídico à Blogosfera – Rodrigo Vianna e Rodrigo Sérvulo da Cunha;


19 horas – Lançamento oficial do Blogoosfero, Plataforma Livre e Segura para blogosfera e redes sociais


Responsáveis: Fundação Blogoosfero, Colivre, TIE-Brasil e Paraná Blogs


27 de maio, domingo


9 horas – Reuniões em grupo: balanço, troca de experiências e próximos passos da blogosfera;


12 horas – Plenária final: aprovação da Carta de Salvador, definição da sede do IV BlogProg e eleição da nova comissão nacional.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

"De ferro e de flor" tem trailer divulgado na net

O trailer do documentário "De ferro e de flor" que conta parte da vida e obra de Edinaldo Filgueira blogueiro e ativista político de Serra do Mel assassinado por sua atividade jornalística já está disponível pela internet. O filme foi produzido pela jornalista Adriana Amorim e Tiago Aguiar (blog cheque sustado[recomendo]) e será lançado no III Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas que ocorrerá em Salvador nos dias 25, 26 e 27 de maio deste. Pelo que vemos no trailer o documentário será um sucesso. Parabéns aos produtores. Veja o link a seguir: http://deferroedeflor.com/

domingo, 20 de maio de 2012

Curtir a vida é Genial !!!

[Ócio]


Um gênio no seu processo de criação...




Delimitando o problema...


construindo as hipóteses...


testando...


Conclusão.

Direito ao Ócio - Parte I

[Direito]
              O escrito mais significativo sobre o direito ao ócio chama-se “O Direito à Preguiça”, escrito pelo médico cubano radicado na França Paul Lafargue, que também é famoso pela atuação no partido comunista francês e por casar-se com Laura, a filha caçula de Marx.
            Em plena revolução industrial, Lafargue via os operários parisienses trabalharem em média 12 ou 13 horas por dia e, às vezes, as jornadas de trabalho se estendiam a 15, 16 e até 17 horas. Mas esses ainda se regozijavam pelo fato de trabalharem, pois estavam convencidos de que o trabalho em si mesmo era uma atividade dignificante e benéfica.
            Denuncia Lafargue, a doutrina de santificação do trabalho alimentada por escritores, economistas e dirigentes políticos.
            Reclama da postura da igreja, especialmente a protestante, pela deusificação do trabalho e satanização do ócio.
            Alerta ainda sobre uma ideologia do trabalho que leva o proletariado ao supertrabalho, motivado por uma necessidade fictícia de superconsumo, alimentada pela propaganda. Tal ideologia prejudica os esforços para implantação de qualquer limite ao trabalho e o desenvolvimento do ócio, sendo que as mudanças no mundo do trabalho devem advir de transformações humanas de ordem imaterial relacionado a seus valores, cultura, ética, moral, ideologia, afetividade, psicologia e etc., num processo de desconstrução da ideologia do trabalho para reconstrução da cultura do prazer em viver o ócio.
            Não há intenção de convencer sobre a desnecessidade do trabalho, visto que, o lavor, na medida exata das necessidades da sociedade e ponderadas as carências humanas por lazer e descanso, é imprescindível à humanidade. Contudo, se é vicioso ou se exigido em excesso, torna-se ruinoso e desvirtua o verdadeiro sentido do mesmo, qual seja o esforço inescapável para o atendimento das condições materiais para o exercício do ócio - onde está a felicidade.
            Assim, Lafargue levanta-se contra a supressão de feriados religiosos medievais, que franqueavam os operários da labuta. Dizia ele, com irreverência peculiar, que:

Cristo pregou a preguiça no seu sermão na montanha: ”Contemplai o crescimento dos lírios dos campos, eles não trabalham nem fiam e, todavia, digo-vos, Salomão, em toda a sua glória, não se vestiu com maior brilho.” Jeová, o deus barbudo e rebarbativo, deu aos seus adoradores o exemplo supremo da preguiça ideal; depois de seis dias de trabalho, repousou para a eternidade. (LAFARGUE, 2000)
            A célebre obra de Max Weber - “A ética protestante e o espírito capitalista”, aclara o processo de construção da ideologia de exploração capitalista, sob as benções da nascente igreja protestante, a partir da criação de uma comunicação direta do homem com Deus, por meio da profissão de fé, pela qual seria possível a salvação dispensando o cumprimento dos rigorosos mandamentos da igreja católica os quais condenavam a usura, a exploração do homem e exigiam bondade, generosidade e desapego numa idéia de que o reino dos céus era dos pobres. O “novo” evangelho liberou a burguesia para a acumulação de riquezas sem remorsos. Foi como se o capitalismo burguês houvesse descoberto como passar um camelo pelo buraco da agulha quando o protestantismo descobriu como colocar um rico no reino dos céus. E a riqueza burguesa deu-se por muita exploração da classe operária.
            Nos dias atuais, o capitalismo neoliberal hegemoniza e tem por pressupostos o livre mercado (não-intervensão estatal), a competitividade, a maximização dos lucros, dentre outros. Não obstante a expansão tecnológica, na prática observa-se uma forte pressão sobre o trabalho para obtenção dos resultados das empresas, porquanto o número de doenças dos trabalhadores relacionados a estresse e a grande incidência de reclamações por assédio moral.
            Acreditava-se que os avanços tecnológicos trariam benefícios à classe trabalhadora, liberando mão-de-obra para o ócio, ao invés de simplesmente servir para aumentar o lucro do capitalista.
            Certo é que a mão-de-obra é tratada como simples insumo no processo produtivo, assim sendo, pela lógica capitalista de maximização dos lucros, cuja receita básica é redução de custos de produção pelo barateamento dos insumos e eliminação de desperdícios, não há espaço para redução da jornada de trabalho, tampouco a ânimo para utilização de parte dela para realização de atividades lúdicas e recreativas.
            A indagação que pertine, nesta altura do nosso trabalho, é: qual a posição do estado diante da investida voraz do capital sobre o trabalho?  Que medidas concretas estão consignadas em lei para proteção do trabalho diante da lógica exploradora do capital?
            Otávio Calvet, neste enfoque, preleciona:
“O lazer é direito social de todos os trabalhadores, subordinados ou não, possuindo dois aspectos: econômico e humano. A todos os trabalhadores reconhece-se a necessidade de uma limitação da duração do trabalho e o direito ao gozo do lazer, o que implica uma alteração na interpretação de institutos previstos na ordem infraconstitucional e na conduta do tomador do serviço, reconhecendo-se a posição jurídica subjetiva ao trabalhador de obtenção de tutela judicial com eventual reparação por dano imaterial sempre que lesionado esse valor, tanto na relação de emprego quanto nas demais relações privadas de trabalho, estas na medida de hipossuficiência do trabalhador.”
            O mesmo autor apresenta alguns institutos do direito do trabalho presentes no atual ordenamento jurídico que relevam o direito fundamental ao lazer, a exemplo da impossibilidade de realização de horas suplementares com a não recepção do art. 59, caput da CLT ([1]); a impossibilidade de flexibilização de normas que tratam de repousos aos trabalhadores; a limitação do tempo máximo de trabalho dos empregados excluídos da duração do trabalho pelo art. 62 ([2]) da CLT e aos domésticos; a fixação das férias com consulta ao empregado; a vedação à remoção injustificada bem como à alteração de horário de trabalho que prejudiquem o lazer do empregado.
            Conclui Calvet ser possível a compatibilização dos interesses econômicos nas relações laborais com a garantia da condição humana relativamente ao exercício do ócio, já sendo anacrônico o discurso meramente econômico das relações de trabalho que estabelece um contraponto à exploração econômica, vez que o objeto dessa investida não é outro senão o próprio ser humano. Acertadamente assevera o autor que os direitos trabalhistas não existem para serem negociados ou indenizados pela sua supressão, mas para que sejam efetivamente observados, permitindo-se o fomento das aptidões do ser humano.



Antonio Marcos da Silva VictorEconomista e  Advogado
Pós-Graduado em Auditoria Contábil




[1] Art. 59. A duração normal do trabalho poderá ser acrescida de horas suplementares, em número não excedente de
duas, mediante acordo escrito entre empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de trabalho.
[2] Art. 62. não são abrangidos pelo regime previsto neste Capítulo:
I – os empregados que exercem atividade externa incompatível com a fixação de horário de trabalho, devendo tal
condição ser anotada na Carteira de Trabalho e Previdência Social e no registro de empregados;
II – os gerentes, assim considerados os exercentes de cargos de gestão, aos quais se equiparam, para efeito do
disposto neste artigo, os diretores e chefes de departamento ou filial.
Parágrafo único. O regime previsto neste Capítulo será aplicável aos empregados mencionados no inciso II deste
artigo, quando o salário do cargo de confiança, compreendendo a gratificação de função, se houver, for inferior ao
valor do respectivo salário efetivo acrescido de quarenta por cento.

Sobre o Ócio Criativo

[ócio]
            A prática integrada e equilibrada do trabalho, estudo e jogo é o que melhor define o conceito inovador do ócio criativo presente nos estudos do sociólogo do trabalho italiano Domenico de Masi, autor do best selers  O Ócio Criativo onde ele expõe estas idéias revolucionárias sobre o trabalho.
       Na abordagem de De Masi o Trabalho é o esforço humano empregado para cumprimento de uma tarefa relativa a geração de um bem econômico. Já o Estudo é a possibilidade de se obter conhecimento através de um processo de aprendizagem constante, utilizando, especialmente, os recursos que a sociedade digital proporciona como o uso da internet, por exemplo. Por sua vez o Jogo é o espaço lúdico de lazer, brincadeira e convivência que deve estar presente em qualquer atividade que se faça. É a forma de evitar a mecanização do trabalho, humanizando-o.
            O ócio Criativo seria então, o desenvolvimento de um processo produtivo em que estejam presentes esses três componentes da vida humana de forma associada e dirigida à criação, respeitando as necessidades humanas da recreação e unindo-as ao exercício da atividade laborativa, indispensável ao desenvolvimento da sociedade. Por meio do ócio criativo se proporcionaria uma maior alegria e produtividade ao trabalho.
            Ainda para o autor o futuro é de quem praticar o ócio criativo, ou seja, pertence a quem souber libertar-se da idéia tradicional do trabalho como obrigação e for capaz de mesclar atividades, como o trabalho, o tempo livre e o estudo.
         Domenico discorre sobre a sociedade pós-industrial, do desenvolvimento sem emprego, da globalização, da feminilização, do declínio das ideologias tradicionais, dos sujeitos sociais emergentes, da criatividade e do tempo livre com uma profunda insatisfação com o modelo social elaborado pelo Ocidente, sobretudo pelos Estados Unidos, que é centrado na idolatria do trabalho, do mercado e da competitividade. A este, De Masi contrapõe um novo modelo atento não só a uma produção eficiente, mas também a uma distribuição equânime da riqueza, do trabalho, do saber e do poder.
           O autor defende que a confiança nas novas tecnologias nos oferecerá maior ócio e que a esperança na nova biologia nos concederá maior longevidade. Prevê que em médio prazo o tempo de trabalho será reduzido e conduzido, na sua maior parte, pelo tele-trabalho, ou seja, realizado de casa, onde a tendência é aumentar o tempo livre.
            Em seu teoria profetiza sobre o que poderá ser a sociedade pós-industrial, tendo uma distribuição equânime da riqueza, do trabalho, do saber e do poder. Insatisfeito com o modelo social centrado na idolatria do trabalho, ele propõe uma maior interação entre o trabalho, o tempo livre e o estudo, onde os indivíduos são educados a privilegiar a satisfação de necessidades radicais, como a introspecção, a amizade, o amor, as atividades lúdicas e a convivência.
          Segundo o autor, o ócio pode transformar-se em violência, neurose, vício e preguiça, mas pode também se elevar para arte, para a criatividade e para a liberdade. É no tempo livre que passamos a maior parte de nossos dias e é nele que devemos concentrar nossas potencialidades.
        De Masi compara, ao mesmo tempo em que sugere, uma semelhança na ética do trabalho com a ética do ócio. Longe de ser anacrônica, a teoria do autor já encontra adeptos em todo mundo. Inclusive nas grandes empresas, especialmente de tecnologias da informação, há casos de empregados que desenvolvem suas atividades em casa ou mesmo possuem horários de trabalho totalmente flexíveis.


Antonio Marcos da Silva VictorEconomista e  Advogado
Pós-Graduado em Auditoria Contábil

sábado, 19 de maio de 2012

Jornalistas produzem 1º Documentário sobre Edinaldo Filgueira


[Demais]

 

A jornalista Adriana Amorim e o blogueiro e ativista Tiago Aguiar estão produzindo o primeiro documentário sobre Edinaldo Filgueira. O foco do trabalho é a vida e obra do blogueiro morto por suas atividades jornalística e política. O trabalho será exibido pela primeira vez no III Encontro Nacional de Blogueiros que acontecerá em Salvador (BA) de 25 à 27 de maio de 2012. Nosso blog estará representado no evento.

sábado, 12 de maio de 2012

Futuro


[Ócio]

 

 

Depois de 20 anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser
Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola

(Geração Coca-cola – Renato Russo)

A “Grande “ Imprensa Brasileira


[Demais]

 

 

Tive a honra de conhecer de perto e trabalhar com um Homem que, na sua simplicidade, deu uma das maiores contribuições ao jornalismo brasileiro. Me refiro ao mártir-blogueiro-jornalista Edinaldo Filgueira, que deu sua vida pelo jornalismo independente e pela liberdade de expressão dos menos favorecidos. Haverá o dia em que as lições de jornalismo explorarão o exemplo de Edinaldo Filgueira para salvar essa importante atividade dos vícios nefastos que corroem sua credibilidade.

 

Republico a seguir o editorial da revista Carta Capital, por Mino carta, sobre a reação de alguns dos grandes veículos da imprensa brasileira à publicação de diálogos gravados nas operações “Vegas” e “Monte Carlos”, que revelam as relações incestuosas entre o Carlinhos Cachoeira, Claudio Abreu e a revista Veja. Essa relação resultou na publicação de reportagens sob encomenda, com informações plantadas pela quadrilha, afim de prejudicar membros do governo federal e do governo do Distrito federal que teriam contrariado interesses do bando. Vejamos:

  

Eternos chapa-branca

 

O jornal O Globo toma as dores da revista Veja e de seu patrão na edição de terça 8, e determina: “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”. Em cena, o espírito corporativo. Manda a tradição do jornalismo pátrio, fiel do pensamento único diante de qualquer risco de mudança.


Desde 2002, todos empenhados em criar problemas para o governo do metalúrgico desabusado e, de dois anos para cá, para a burguesa que lá pelas tantas pegou em armas contra a ditadura, embora nunca as tenha usado. Os barões midiáticos detestam-se cordialmente uns aos outros, mas a ameaça comum, ou o simples temor de que se manifeste, os leva a se unir, automática e compactamente.


Não há necessidade de uma convocação explícita, o toque do alerta alcança com exclusividade os seus ouvidos interiores enquanto ninguém mais o escuta. E entra na liça o jornal da família Marinho para acusar quem acusa o parceiro de jornada, o qual, comovido, transforma o texto global na sua própria peça de defesa, desfraldada no site de Veja. A CPI do Cachoeira em potência encerra perigos em primeiro lugar para a Editora Abril. Nem por isso os demais da mídia nativa estão a salvo, o mal de um pode ser de todos.


O autor do editorial exibe a tranquilidade de Pitágoras na hora de resolver seu teorema, na certeza de ter demolido com sua pena (imortal?) os argumentos de CartaCapital. Arrisca-se, porém, igual a Rui Falcão, de quem se apressa a citar a frase sobre a CPI, vista como a oportunidade “de desmascarar o mensalão”. Com notável candura evoca o Caso Watergate para justificar o chefe da sucursal de Veja em Brasília nas suas notórias andanças com o chefão goiano. Ambos desastrados, o editorialista e o líder petista.


Abalo-me a observar que a semanal abriliana em nada se parece com o Washington Post, bem como Roberto Civita com Katharine Graham, dona, à época de Watergate, do extraordinário diário da capital americana. Poupo os leitores e os meus pacientes botões de comparações entre a mídia dos Estados Unidos e a do Brasil, mas não deixo de acentuar a abissal diferença entre o diretor de Veja e Ben Bradlee, diretor do Washington Post, e entre Policarpo Jr. e Bob Woodward e Carl Bernstein, autores da série que obrigou Richard Nixon a se demitir antes de sofrer o inevitável impeachment. E ainda entre o Garganta Profunda, agente graduado do FBI, e um bicheiro mafioso.


Recomenda-se um mínimo de apego à verdade factual e ao espírito crítico, embora seja do conhecimento até do mundo mineral a clamorosa ignorância das redações nativas. Vale dizer, de todo modo, que, para não perder o vezo, o editorialista global esquece, entre outras façanhas de Veja, aquele épico momento em que a revista publica o dossiê fornecido por Daniel Dantas sobre as contas no exterior de alguns figurões da República, a começar pelo presidente Lula.

 

 

 

(Roberto Marinho e Armando Falcão*)
Anos de chumbo. O grande e conveniente amigo chamava-se Armando Falcão

Concentro-me em outras miopias de O Globo. Sem citar CartaCapital, o jornal a inclui entre “os veículos de imprensa chapa-branca, que atuam como linha auxiliar dos setores radicais do PT”. Anotação marginal: os radicais do PT são hoje em dia tão comuns quanto os brontossauros. Talvez fossem anacrônicos nos seus tempos de plena exposição, hoje em dia mudaram de ideia ou sumiram de vez. Há tempo CartaCapital lamenta que o PT tenha assumido no poder as feições dos demais partidos.


Vamos, de todo modo, à vezeira acusação de que somos chapa-branca. Apenas e tão somente porque entendemos que os governos do presidente Lula e da presidenta Dilma são muito mais confiáveis do que seus antecessores? Chapa-branca é a mídia nativa e O Globo cumpre a tarefa com diligência vetusta e comovedora, destaque na opção pelos interesses dos herdeiros da casa-grande, empenhados em manter de pé a senzala até o derradeiro instante possível.


Não é por acaso que 64% dos brasileiros não dispõem de saneamento básico e que 50 mil morrem assassinados anualmente. Ou que os nossos índices de ensino e saúde públicos são dignos dos fundões da África, a par da magnífica colocação do País entre aqueles que pior distribuem a renda. Em compensação, a minoria privilegiada imita a vida dos emires árabes.


Chapa-branca a favor de quem, impávidos senhores da prepotência, da velhacaria, da arrogância, da incompetência, da hipocrisia? Arauto da ditadura, Roberto Marinho fermentou seu poder à sombra dela e fez das Organizações Globo um monstro que assola o Brazil-zil-zil. Seu jornal apoiou o golpe, o golpe dentro do golpe, a repressão feroz. Illo tempore, seu grande amigo chamava-se Armando Falcão.


Opositor ferrenho das Diretas Já, rejubilado pelo fracasso da Emenda Dante de Oliveira, seu grande amigo passou a atender pelo nome de Antonio Carlos Magalhães. O doutor Roberto em pessoa manipulou o célebre debate Lula versus Collor, para opor-se a este dois anos depois, cobrador, o presidente caçador de marajás, de pedágios exorbitantes, quando já não havia como segurá-lo depois das claras, circunstanciadas denúncias do motorista Eriberto, publicadas pela revista IstoÉ, dirigida então pelo acima assinado.


Pronta às loas mais desbragadas a Fernando Henrique presidente, com o aval de ACM, a Globo sustentou a reeleição comprada e a privataria tucana, e resistiu à própria falência do País no começo de 1999, após ter apoiado a candidatura de FHC na qualidade de defensor da estabilidade. Não lhe faltaram compensações. Endividada até o chapéu, teve o presente de 800 milhões de reais do BNDES do senhor Reichstul. Haja chapa-branca.


Impossível a comparação entre a chamada “grande imprensa” (eu a enxergo mínima) e o que chama de “linha auxiliar de setores radicais do PT”, conforme definem as primeiras linhas do editorial de O Globo. A questão, de verdade, é muito simples: há jornalismo e jornalismo. Ao contrário destes “grandes”, nós entendemos que a liberdade sozinha, sem o acompanhamento pontual da igualdade, é apenas a do mais forte, ou, se quiserem, do mais rico. É a liberdade do rei leão no coração da selva, seguido a conveniente distância por sua corte de ienas.


Acreditamos também que entregue à propaganda da linha auxiliar da casa-grande, o Brasil não chegaria a ser o País que ele mesmo e sua nação merecem. Nunca me canso de repetir Raymundo Faoro: “Eles querem um País de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”. No mais, sobra a evidência: Roberto Civita é o Murdoch que este país pode se permitir, além de inventor da lâmpada Skuromatic a convocar as trevas ao meio-dia. Temos de convir que, na mídia brasileira, abundam os usuários deste milagroso objeto.


*Armando Ribeiro Falcão, foi um dos arquitetos da derrubada de João Goulart e conseqüente instauração da ditadura no Brasil e ministro da justiça no governo do General Ernesto Geisel, considerado um dos mais repressores da ditadura brasileira.