domingo, 20 de maio de 2012

Sobre o Ócio Criativo

[ócio]
            A prática integrada e equilibrada do trabalho, estudo e jogo é o que melhor define o conceito inovador do ócio criativo presente nos estudos do sociólogo do trabalho italiano Domenico de Masi, autor do best selers  O Ócio Criativo onde ele expõe estas idéias revolucionárias sobre o trabalho.
       Na abordagem de De Masi o Trabalho é o esforço humano empregado para cumprimento de uma tarefa relativa a geração de um bem econômico. Já o Estudo é a possibilidade de se obter conhecimento através de um processo de aprendizagem constante, utilizando, especialmente, os recursos que a sociedade digital proporciona como o uso da internet, por exemplo. Por sua vez o Jogo é o espaço lúdico de lazer, brincadeira e convivência que deve estar presente em qualquer atividade que se faça. É a forma de evitar a mecanização do trabalho, humanizando-o.
            O ócio Criativo seria então, o desenvolvimento de um processo produtivo em que estejam presentes esses três componentes da vida humana de forma associada e dirigida à criação, respeitando as necessidades humanas da recreação e unindo-as ao exercício da atividade laborativa, indispensável ao desenvolvimento da sociedade. Por meio do ócio criativo se proporcionaria uma maior alegria e produtividade ao trabalho.
            Ainda para o autor o futuro é de quem praticar o ócio criativo, ou seja, pertence a quem souber libertar-se da idéia tradicional do trabalho como obrigação e for capaz de mesclar atividades, como o trabalho, o tempo livre e o estudo.
         Domenico discorre sobre a sociedade pós-industrial, do desenvolvimento sem emprego, da globalização, da feminilização, do declínio das ideologias tradicionais, dos sujeitos sociais emergentes, da criatividade e do tempo livre com uma profunda insatisfação com o modelo social elaborado pelo Ocidente, sobretudo pelos Estados Unidos, que é centrado na idolatria do trabalho, do mercado e da competitividade. A este, De Masi contrapõe um novo modelo atento não só a uma produção eficiente, mas também a uma distribuição equânime da riqueza, do trabalho, do saber e do poder.
           O autor defende que a confiança nas novas tecnologias nos oferecerá maior ócio e que a esperança na nova biologia nos concederá maior longevidade. Prevê que em médio prazo o tempo de trabalho será reduzido e conduzido, na sua maior parte, pelo tele-trabalho, ou seja, realizado de casa, onde a tendência é aumentar o tempo livre.
            Em seu teoria profetiza sobre o que poderá ser a sociedade pós-industrial, tendo uma distribuição equânime da riqueza, do trabalho, do saber e do poder. Insatisfeito com o modelo social centrado na idolatria do trabalho, ele propõe uma maior interação entre o trabalho, o tempo livre e o estudo, onde os indivíduos são educados a privilegiar a satisfação de necessidades radicais, como a introspecção, a amizade, o amor, as atividades lúdicas e a convivência.
          Segundo o autor, o ócio pode transformar-se em violência, neurose, vício e preguiça, mas pode também se elevar para arte, para a criatividade e para a liberdade. É no tempo livre que passamos a maior parte de nossos dias e é nele que devemos concentrar nossas potencialidades.
        De Masi compara, ao mesmo tempo em que sugere, uma semelhança na ética do trabalho com a ética do ócio. Longe de ser anacrônica, a teoria do autor já encontra adeptos em todo mundo. Inclusive nas grandes empresas, especialmente de tecnologias da informação, há casos de empregados que desenvolvem suas atividades em casa ou mesmo possuem horários de trabalho totalmente flexíveis.


Antonio Marcos da Silva VictorEconomista e  Advogado
Pós-Graduado em Auditoria Contábil

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