terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Henrique Alves tem nome envolvido em golpe na Serra do Mel

A população de Serra do Mel, localizada a cerca de 40 km de Mossoró-RN, prepara um grande ato público nesta sexta-feira (14), na praça Governador Cortez Pereira, vila Brasília, centro da cidade. O ato servirá para denunciar as manobras políticas e judiciais que tentam impedir a posse do prefeito eleito no município, o sindicalista Manoel Cândido da Costa do Partido dos Trabalhadores. Também estão sendo colhidas assinaturas em uma nota de repúdio contra a Justiça Eleitoral potiguar que, mesmo existindo um processo em tramitação que discute a legalidade da vitória petista, já anunciou que dará posse à candidata derrotada Irmã Lúcia do PMDB.

Candidato pela quarta vez o sindicalista Manoel Cândido obteve êxito após derrotar a candidata situacionista apoiada pelo atual prefeito Josivan Bibiano de Azevedo (PSDB) que recentemente foi preso acusado de mandar assassinar o jornalista, blogueiro e presidente municipal do PT, Edinaldo Filgueira, crime ocorrido na sede do jornal da vítima no dia 15 de junho de 2011. Ainda durante a campanha o candidato petista passou a enfrentar um processo de inelegibilidade por conta da apresentação fora do prazo de uma prestação de contas de sua campanha a deputado estadual em 2010.

Mesmo patrocinada pela governadora Rosalba Ciarlini-DEM (líder político da região de Mossoró), pelo deputado Henrique Alves e o ministro Garibaldi Alves Filho a candidata peemedebista foi vencida, porém se recusa a reconhecer a derrota e articulou seus padrinhos políticos para usurpar o mandato de prefeito do legítimo ganhador.

Judiciário sob suspeita

Nos últimos dias o judiciário potiguar tem sido vítima de sérias denúncias, uma delas envolvendo dois desembargadores ex-presidentes do Tribunal de Justiça acusados de venda de sentenças e desvios de cerca de R$ 20 milhões de reais de precatórios. Os acusados são os desembargadores Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro que aguardam o fim das investigações afastados do tribunal e devem perder suas funções. No dia 24 de setembro deste ano o Presidente do TRE-RN, João Batista Rebouças, recebeu em sua casa o desembargador investigado Osvaldo Cruz, fato que só veio à público porque os dois acabaram sendo vítimas de um assalto no local do encontro. 

Hoje sabe-se que o presidente do TRE-RN tem duas filhas que atuam como advogadas da candidata Imã Lúcia (PMDB), entretanto o mesmo não declarou-se impedido de julgar o processo no TRE, pelo contrário, atuou ativamente para fazer vitoriosa a tese da peemedebistas.

Curral eleitoral

No Rio Grande do Norte o PMDB é liderado pelo deputado Federal Henrique Eduardo Alves herdeiro do clã Alves do qual faz parte o Ministro Garibaldi Alves Filho, seu pai o senador licenciado Garibaldi Alves, o filho de Garibaldi Filho deputado estadual Walter Alves e o vereador por Natal Felipe Alves (4ª geração Alves no poder). Também podem ser incluídos nessa cota o prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves e seu pai o deputado estadual Agnelo Alves, primo e tio de Henrique respectivamente, atualmente dissidentes.

Henrique é herdeiro de um império de comunicação no estado que incluem jornais, rádios e o maior canal de televisão, filiada à Rede Globo. 

Como a família Marinho, os Alves construíram seu império durante a ditadura militar e utilizam as concessões públicas de radiodifusão, televisão e jornais como instrumento de dominação política e manipulação das informações para se perpetuarem no poder.

Da base de apoio da presidente Dilma, onde atua como líder de governo no Congresso Nacional, Henrique Alves sabe transitar inescrupulosamente entre a extrema direita e a esquerda no mesmo contexto político. Assim, ao tempo em que é aliado privilegiado no governo petista central, também foi decisivo para a eleição e sustentação política da única governadora do DEM no país, governo que tem reprovação de 82% da população. Também, junto com o Ministro Garibaldi Alves, devolveram ao senado uma das raposas velhas da política do estado: o senador José Agripino.

Manipulação e tráfico de influência

Cotado para presidir a Câmara dos deputados, nos últimos dias Henrique Alves tem sido alvo de denúncias de uma suposta atuação junto ao TSE para entregar à sua aliada local, pela via judicial, o mandato perdido nas urnas. 

A atuação do parlamentar no Tribunal Superior Eleitoral seria por meio da relatora do processo contra Manoel Cândido (PT), a ministra Luciana Lóssio, segundo o BlogdaDilma, Luciana Lóssio é prima do prefeito de Petrolina-PE, Júlio Lóssio do PMDB e integrante do grupo político de Henrique. Na condução do processo a ministra reconheceu a admissibilidade do mesmo mas não o submeteu ao plenário, mantendo-o sempre em decisão monocrática, sem qualquer relatório, no popular bloco,  negando ao advogado de Manoel Cândido o direito da exposição oral em defesa de seu cliente e sempre tomando decisões desfavoráveis ao petista. Veja também: Manobra contra o povo da serra ganha repercussão nacional. 


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